quinta-feira, 24 de julho de 2014
Maria
Ainda a pouco eu dizia que pedir não é algo fácil de fazer.
Isso quando considerando que por trás de todo o pedido existe uma necessidade real e a ausência de recursos para supri-las.
Parecia-me que a única certeza de quem pede, além da humilhação, é o SIM ou o NÃO.
Ouvi o som de palmas vindos da frente da casa enquanto ainda me consumia entre as muitas necessidades, a crescente lista de pedidos e o pesado fardo de pedir.
Reconheci aquele rosto. Ela já esteve aqui outras vezes. Ainda não sabia o seu nome apesar de saber o que a trazia aqui.
E mais que prontamente PEDIR tomou uma forma contundente.
Ela é magra, maltrapilha, tem um cheiro forte e adocicado, a pele é curtida pelo sol e o sofrimento que carrega no rosto e no corpo confunde e não permite identificar sua idade que parece ser bem avançada.
Apoiou-se no portão. Estava tonta. Não sabia se de fome ou da falta de medicação que não tomava.
O sorriso cheio de falhas que apresenta antes do pedido mais parece “me perdoe por incomodar”.
Não havia sobras para doar. Dividi o que tinha. Mingau de arroz, maisena e leite em pó.
“Deus é tão bom, era isso que faltava para os meus netos.” Disse ela.
Conversando soube que tem um nome forte que faz jus a sua fibra: Maria.
Sobre a dificuldade de pedir ela me conta sem mágoas que nem sempre foi assim. Que passou a pedir depois de alguns revesses da vida.
Mas observa que muitas vezes as pessoas dão coisas – especialmente alimentos – cheios de bolor e insetos. Ela fica sem graça e aceita para não parecer ingrata.
Olhando para aquela senhora tudo o que havia formulado sobre falta de recursos, necessidades e pedir se dissipou.
Ela pedi para não ser pesada na família.
Ela já se despiu da vaidade e do orgulho.
Ela já aprendeu que humilhação não é pedir, mas ter e dar sobras.
Maria veio pedir e doou.
(Natal, 20 de junho de 2014)
sábado, 18 de janeiro de 2014
De repente
De repente é bom perceber apenas na imaginação.
De repente ver, ouvir ou sentir não traduz nada, só confunde.
De repente no mínimo silêncio tudo fala e o mais se cala.
De repente estar quieta é não estar.
De repente serenidade é inquietação disfarçada.
De repente faltam as palavras e ainda assim parece bastar.
De repente ceder não é perder e pode também não ser ganhar.
De repente conter descontrola e extravasar equilibra.
De repente querer é mais que pretensão ou apenas pura ilusão.
De repente o tempo finge que tudo é possível e então tudo se revela como realmente é.
De repente todos os porquês ficam precisos e os pra que perdem o sentido.
De repente solidão é companhia demais para quem esta só e estar só é solidão voluntária.
De repente é um equivoco e acertar só repente.
De repente tudo isso passa de repente.
(Natal-RN, 19 de janeiro de 2014)
sábado, 7 de setembro de 2013
O tempo
Há um tempo que foi ontem.
Há um tempo que será amanhã.
Há um tempo que se faz agora.
E há um tempo que não se conta mas sempre existirá.
Não sente para aprender com o tempo.
O tempo não se detém para ensinar.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Escolhas
Eu poderia desistir.
Eu posso continuar.
Eu poderia perder a fé.
Eu posso crer.
Eu poderia duvidar.
Eu posso pensar que sim.
Eu poderia chorar.
Eu posso fazer sorrir.
Eu poderia temer.
Eu posso ousar.
Eu poderia lamentar.
Eu posso refletir.
Eu poderia ceder.
Eu posso agir.
Eu poderia deixar de ser
Eu posso viver assim.
Márcia Régis
Eu posso continuar.
Eu poderia perder a fé.
Eu posso crer.
Eu poderia duvidar.
Eu posso pensar que sim.
Eu poderia chorar.
Eu posso fazer sorrir.
Eu poderia temer.
Eu posso ousar.
Eu poderia lamentar.
Eu posso refletir.
Eu poderia ceder.
Eu posso agir.
Eu poderia deixar de ser
Eu posso viver assim.
Márcia Régis
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Saudades
Saudade tem pressa, tem fome de agora, tem vontade imediata, tem urgencia de querer.
É assim a saudade que em teu nome me toma.
(Natal, 16/5/2011)
É assim a saudade que em teu nome me toma.
(Natal, 16/5/2011)
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Decifre
Afora até aqui agora aquém
Busquei bati berrei banquei
Comigo calada cansada cessei
(Natal, 12/5/2011)
Busquei bati berrei banquei
Comigo calada cansada cessei
(Natal, 12/5/2011)
Apenas sonhe
Escreveram tudo que eu queria dizer-te.
Digo agora que simples é algo que não fica complicado depois.
Por esse motivo preciso que queiras entender que achar-me é perder-se em mim.
A noite sempre vem.
Já os sonhos não precisam da noite.
Não se faça refém do tempo.
Não fracione as horas, não divida o dia.
Apenas sonhe comigo.
(Natal, 12/5/2011)
Digo agora que simples é algo que não fica complicado depois.
Por esse motivo preciso que queiras entender que achar-me é perder-se em mim.
A noite sempre vem.
Já os sonhos não precisam da noite.
Não se faça refém do tempo.
Não fracione as horas, não divida o dia.
Apenas sonhe comigo.
(Natal, 12/5/2011)
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