sexta-feira, 2 de abril de 2010

Natal - A Cidade do Sol

Natal é conhecida como a Cidade do Sol e faz jus ao nome.
A proximidade da linha do Equador garante oficialmente temperaturas na média de 35º praticamente durante todo o ano.
Extra oficialmente é outra coisa.
Pode não ter – ainda - a comprovação científica, mas me arrisco em dizer que o sol incha a cabeça e amolece o juízo dos nativos.
A incidência solar aqui é de fato sem comparação e as cabeças idem . Vide a minha.
Aqui são muito comuns cenas dignas de muitas resenhas.
Faço antes um parêntese sobre coisas corriqueiras e possíveis de protagonizar por aqui ou em qualquer lugar.
Um exemplo comum são as filas.
Sempre que chegada a minha vez sou forçada ao exercício da paciência, pois é trivial o caixa eletrônico apresentar problemas ou mesmo o cartão magnético ou o operador do caixa sair para fazer algo que ninguém podia fazer no lugar dele; ou devotas de São Bento (Mulheres grávidas com uma criança no colo, outra na mão e outra dentro) surgirem com suas proles; ou o clube da terceira idade aparecer em peso, etc.
Bem, voltemos ao episodio de hoje.
Numa fila para usar o telefone público – claro que para variar quase chegada a minha vez – um rapaz ensandecido com o fone em punho batendo-o furiosamente contra a caixa do teclado e rasgando o português – que fique claro que falo da linguagem e não dos lusitanos.
Dizia ele num dialeto local uma seqüência de palavras que para o entendimento e respeito com todos é melhor omitir, pois requer a adição do vocabulário local e esse é um texto família.
No demais todos se olhando e criticando baixinho, quase em sussurros, o comportamento daquele moço.
Ninguém ousava dizer nada para que ele ouvisse.
Não reprovo o cuidado dos meus conterrâneos e companheiros de fila.
Afinal quem em sã consciência ousa interromper um nordestino com a bexiga taboca, bisonho, breado de cana, cabra de peia, aperreado e abufelado?
Só outro nordestino cuja sanidade e paciência são atributos raros, e também vítima do escaldante sol: Eu.
Então disse eu no nosso sotaque cantante sem medir as conseqüências e já me preparando para o balaio de gato que estava por se formar.
- Moço, com licença, antes de o senhor quebrar o orelhão posso, por favor, fazer minha ligação?
Ele parou de espancar o orelhão, olhou para baixo procurando de onde vinha a voz – sou baixinha em tamanho, mas grande em atrevimento – e pra surpresa de todos e minha também, ele foi para o lado e eu sem dar as costas pra ele – não estava doida – pude fazer a minha ligação.
O moço? Foi embora resmungando.
Não o vi mais depois disso.
Eu voltei pra casa me achando.
O orelhão continua lá. Inteiro e ainda funcionando.

Márcia Régis

Um comentário:

Unknown disse...

Oi Márcia Antonia há quanto tempo!
Muito legal o seu blog. O mais engraçado desse texto é eu ter na minha cabeça a total leitura de você na fila e abordando o cidadão. rs... só quem te conhece.