Hoje apenas olho pela janela.
Tudo parou o que motiva, o que inspira e o que revela.
Onde me vejo denuncio o que sinto, não há reflexos e não há respostas.
Há apenas a ausência nua do brilho nos olhos.
Haverá propósito no destino? Quem escreveu esta estória? Porque esse final se nem houve um início completo? Porque me apresentar a beleza em essência e tirá-la assim sem que a tocasse? Devo me contentar com essa efêmera apresentação da felicidade? Porque antes de ir, não me ensinastes a olhar como tu olhas e a sentir como tu sentes?
Não teria me entregado assim se soubesse da rapidez desse encontro. Teria me dado muito mais.
Não posso, não quero e não vou apagar teus vestígios. São marcas indeléveis que eu não posso negar. Fazem agora parte do que me fizestes ser.
Não sou eu que faço as exigências, é a tua presença em mim.
Acreditei que cedendo o controle das emoções me chegaria até você. Por várias vezes me permiti e me senti tão próxima, mas era apenas o meu desejo que se completava em você.
Hoje sei e sinto que nunca mais serei como antes.
Percebo com ansiedade e pesar que estava só na intenção de unidade e que jamais seremos nós.
Márcia Régis
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
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