segunda-feira, 16 de maio de 2011

Saudades

Saudade tem pressa, tem fome de agora, tem vontade imediata, tem urgencia de querer.
É assim a saudade que em teu nome me toma.

(Natal, 16/5/2011)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Decifre

Afora até aqui agora aquém
Busquei bati berrei banquei
Comigo calada cansada cessei

(Natal, 12/5/2011)

Apenas sonhe

Escreveram tudo que eu queria dizer-te.
Digo agora que simples é algo que não fica complicado depois.
Por esse motivo preciso que queiras entender que achar-me é perder-se em mim.
A noite sempre vem.
Já os sonhos não precisam da noite.
Não se faça refém do tempo.
Não fracione as horas, não divida o dia.
Apenas sonhe comigo.

(Natal, 12/5/2011)

sábado, 23 de abril de 2011

Sem efeito

Se eu quizesse falaria
Se eu falasse diria
Se eu dissesse contaria
Se eu contasse deveria
Se eu devesse pediria
Se eu pedisse poderia
Se eu pudesse teria
Se eu tivesse faria
Se eu fizesse agiria
Se eu agisse mudaria
Se eu mudasse seria
Se eu fosse teria efeito

(Natal, 23/5/2011)

domingo, 23 de janeiro de 2011

Consciência, Responsabilidade, Egoísmo, Covardia

Escrever é para mim uma opção saudável, disponível e fácil para organizar as idéias, retomar os bons ânimos e fortalecer-me para continuar com a tentativa de estabelecer a pseudo aparência de normalidade que todos esperam que haja.
Antes de findar esse texto meus sentimentos terá percorrido todos os extremos das emoções. Indo e vindo numa variação absurda, cheia de contra-sensos e impossibilidades até invarialmente alcançar um estado de total condescendência, mesmo que este em nada combine com a minha personalidade.
Nesse vale de grandes proporções, nesse deserto que resseca as lágrimas mas que alimenta o entrave na garganta, até quando e quantas palavras serão suficientes para frequentes cartases?
Assumo a dependência diária, crônica e progressiva de minha mãe. Quisera poder mudar isso sem contudo faze-la sofrer.
Mas estou cansada de ser condicionada a tantas responsabilidades impostas.
Viver sobrevivendo é contradizente e falta de inteligência.
Não demora e sobreviver não será mais suficiente.
Consciência, responsabilidade, egoísmo, covardia. Palavras demasiadamente frequentes agora.
É quase inevitável estar sempre entre, no mínimo, dois caminhos.
No final desse labirinto as opções são claras e desafiadoras.
Tenho escolhas.
Posso faze-las.
Mas entre o ter e o poder fazer me deparo com o questionamento do dever e isso me limita a ação.
As referências do passado são remotas e pouco ajudam.
A realidade de agora me aprisiona.
A perspectiva de um futuro tão esperado é remota.
Desta forma parece-me que tudo e/ou quase todos que diretamente estão ou são ligados a mim esperam que eu pretira minhas aspirações, emoções e objetivos.
Tomara que nunca faltem as palavras.

(Natal, 23/01/2011)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Alguém

Quero alguém que não seja só desencontros.
Que entre junto comigo e que não esteja sempre saindo quando eu chego.
Que não seja espelho ou reflexo.
Que fale quando eu me calar.
Que dê seqüência nas minhas frases.
Que me ouça sem que seja preciso palavras.
Que não seja minha metade, mas minha extensão.
Que enxugue minhas lágrimas antes destas acontecerem.
Quero alguém com quem eu possa dividir meus defeitos tão freqüentes e multiplicar minhas qualidades raras.
Alguém que converta meus erros em acertos e que os faça evidente.
Alguém real que seja toque e forma e não apenas intenção ou imaginação.

Márcia Régis

Solidão

Hoje apenas olho pela janela.
Tudo parou o que motiva, o que inspira e o que revela.
Onde me vejo denuncio o que sinto, não há reflexos e não há respostas.
Há apenas a ausência nua do brilho nos olhos.
Haverá propósito no destino? Quem escreveu esta estória? Porque esse final se nem houve um início completo? Porque me apresentar a beleza em essência e tirá-la assim sem que a tocasse? Devo me contentar com essa efêmera apresentação da felicidade? Porque antes de ir, não me ensinastes a olhar como tu olhas e a sentir como tu sentes?
Não teria me entregado assim se soubesse da rapidez desse encontro. Teria me dado muito mais.
Não posso, não quero e não vou apagar teus vestígios. São marcas indeléveis que eu não posso negar. Fazem agora parte do que me fizestes ser.
Não sou eu que faço as exigências, é a tua presença em mim.
Acreditei que cedendo o controle das emoções me chegaria até você. Por várias vezes me permiti e me senti tão próxima, mas era apenas o meu desejo que se completava em você.
Hoje sei e sinto que nunca mais serei como antes.
Percebo com ansiedade e pesar que estava só na intenção de unidade e que jamais seremos nós.

Márcia Régis