quinta-feira, 24 de julho de 2014
Maria
Ainda a pouco eu dizia que pedir não é algo fácil de fazer.
Isso quando considerando que por trás de todo o pedido existe uma necessidade real e a ausência de recursos para supri-las.
Parecia-me que a única certeza de quem pede, além da humilhação, é o SIM ou o NÃO.
Ouvi o som de palmas vindos da frente da casa enquanto ainda me consumia entre as muitas necessidades, a crescente lista de pedidos e o pesado fardo de pedir.
Reconheci aquele rosto. Ela já esteve aqui outras vezes. Ainda não sabia o seu nome apesar de saber o que a trazia aqui.
E mais que prontamente PEDIR tomou uma forma contundente.
Ela é magra, maltrapilha, tem um cheiro forte e adocicado, a pele é curtida pelo sol e o sofrimento que carrega no rosto e no corpo confunde e não permite identificar sua idade que parece ser bem avançada.
Apoiou-se no portão. Estava tonta. Não sabia se de fome ou da falta de medicação que não tomava.
O sorriso cheio de falhas que apresenta antes do pedido mais parece “me perdoe por incomodar”.
Não havia sobras para doar. Dividi o que tinha. Mingau de arroz, maisena e leite em pó.
“Deus é tão bom, era isso que faltava para os meus netos.” Disse ela.
Conversando soube que tem um nome forte que faz jus a sua fibra: Maria.
Sobre a dificuldade de pedir ela me conta sem mágoas que nem sempre foi assim. Que passou a pedir depois de alguns revesses da vida.
Mas observa que muitas vezes as pessoas dão coisas – especialmente alimentos – cheios de bolor e insetos. Ela fica sem graça e aceita para não parecer ingrata.
Olhando para aquela senhora tudo o que havia formulado sobre falta de recursos, necessidades e pedir se dissipou.
Ela pedi para não ser pesada na família.
Ela já se despiu da vaidade e do orgulho.
Ela já aprendeu que humilhação não é pedir, mas ter e dar sobras.
Maria veio pedir e doou.
(Natal, 20 de junho de 2014)
sábado, 18 de janeiro de 2014
De repente
De repente é bom perceber apenas na imaginação.
De repente ver, ouvir ou sentir não traduz nada, só confunde.
De repente no mínimo silêncio tudo fala e o mais se cala.
De repente estar quieta é não estar.
De repente serenidade é inquietação disfarçada.
De repente faltam as palavras e ainda assim parece bastar.
De repente ceder não é perder e pode também não ser ganhar.
De repente conter descontrola e extravasar equilibra.
De repente querer é mais que pretensão ou apenas pura ilusão.
De repente o tempo finge que tudo é possível e então tudo se revela como realmente é.
De repente todos os porquês ficam precisos e os pra que perdem o sentido.
De repente solidão é companhia demais para quem esta só e estar só é solidão voluntária.
De repente é um equivoco e acertar só repente.
De repente tudo isso passa de repente.
(Natal-RN, 19 de janeiro de 2014)
sábado, 7 de setembro de 2013
O tempo
Há um tempo que foi ontem.
Há um tempo que será amanhã.
Há um tempo que se faz agora.
E há um tempo que não se conta mas sempre existirá.
Não sente para aprender com o tempo.
O tempo não se detém para ensinar.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Escolhas
Eu poderia desistir.
Eu posso continuar.
Eu poderia perder a fé.
Eu posso crer.
Eu poderia duvidar.
Eu posso pensar que sim.
Eu poderia chorar.
Eu posso fazer sorrir.
Eu poderia temer.
Eu posso ousar.
Eu poderia lamentar.
Eu posso refletir.
Eu poderia ceder.
Eu posso agir.
Eu poderia deixar de ser
Eu posso viver assim.
Márcia Régis
Eu posso continuar.
Eu poderia perder a fé.
Eu posso crer.
Eu poderia duvidar.
Eu posso pensar que sim.
Eu poderia chorar.
Eu posso fazer sorrir.
Eu poderia temer.
Eu posso ousar.
Eu poderia lamentar.
Eu posso refletir.
Eu poderia ceder.
Eu posso agir.
Eu poderia deixar de ser
Eu posso viver assim.
Márcia Régis
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Saudades
Saudade tem pressa, tem fome de agora, tem vontade imediata, tem urgencia de querer.
É assim a saudade que em teu nome me toma.
(Natal, 16/5/2011)
É assim a saudade que em teu nome me toma.
(Natal, 16/5/2011)
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Decifre
Afora até aqui agora aquém
Busquei bati berrei banquei
Comigo calada cansada cessei
(Natal, 12/5/2011)
Busquei bati berrei banquei
Comigo calada cansada cessei
(Natal, 12/5/2011)
Apenas sonhe
Escreveram tudo que eu queria dizer-te.
Digo agora que simples é algo que não fica complicado depois.
Por esse motivo preciso que queiras entender que achar-me é perder-se em mim.
A noite sempre vem.
Já os sonhos não precisam da noite.
Não se faça refém do tempo.
Não fracione as horas, não divida o dia.
Apenas sonhe comigo.
(Natal, 12/5/2011)
Digo agora que simples é algo que não fica complicado depois.
Por esse motivo preciso que queiras entender que achar-me é perder-se em mim.
A noite sempre vem.
Já os sonhos não precisam da noite.
Não se faça refém do tempo.
Não fracione as horas, não divida o dia.
Apenas sonhe comigo.
(Natal, 12/5/2011)
sábado, 23 de abril de 2011
Sem efeito
Se eu quizesse falaria
Se eu falasse diria
Se eu dissesse contaria
Se eu contasse deveria
Se eu devesse pediria
Se eu pedisse poderia
Se eu pudesse teria
Se eu tivesse faria
Se eu fizesse agiria
Se eu agisse mudaria
Se eu mudasse seria
Se eu fosse teria efeito
(Natal, 23/5/2011)
Se eu falasse diria
Se eu dissesse contaria
Se eu contasse deveria
Se eu devesse pediria
Se eu pedisse poderia
Se eu pudesse teria
Se eu tivesse faria
Se eu fizesse agiria
Se eu agisse mudaria
Se eu mudasse seria
Se eu fosse teria efeito
(Natal, 23/5/2011)
domingo, 23 de janeiro de 2011
Consciência, Responsabilidade, Egoísmo, Covardia
Escrever é para mim uma opção saudável, disponível e fácil para organizar as idéias, retomar os bons ânimos e fortalecer-me para continuar com a tentativa de estabelecer a pseudo aparência de normalidade que todos esperam que haja.
Antes de findar esse texto meus sentimentos terá percorrido todos os extremos das emoções. Indo e vindo numa variação absurda, cheia de contra-sensos e impossibilidades até invarialmente alcançar um estado de total condescendência, mesmo que este em nada combine com a minha personalidade.
Nesse vale de grandes proporções, nesse deserto que resseca as lágrimas mas que alimenta o entrave na garganta, até quando e quantas palavras serão suficientes para frequentes cartases?
Assumo a dependência diária, crônica e progressiva de minha mãe. Quisera poder mudar isso sem contudo faze-la sofrer.
Mas estou cansada de ser condicionada a tantas responsabilidades impostas.
Viver sobrevivendo é contradizente e falta de inteligência.
Não demora e sobreviver não será mais suficiente.
Consciência, responsabilidade, egoísmo, covardia. Palavras demasiadamente frequentes agora.
É quase inevitável estar sempre entre, no mínimo, dois caminhos.
No final desse labirinto as opções são claras e desafiadoras.
Tenho escolhas.
Posso faze-las.
Mas entre o ter e o poder fazer me deparo com o questionamento do dever e isso me limita a ação.
As referências do passado são remotas e pouco ajudam.
A realidade de agora me aprisiona.
A perspectiva de um futuro tão esperado é remota.
Desta forma parece-me que tudo e/ou quase todos que diretamente estão ou são ligados a mim esperam que eu pretira minhas aspirações, emoções e objetivos.
Tomara que nunca faltem as palavras.
(Natal, 23/01/2011)
Antes de findar esse texto meus sentimentos terá percorrido todos os extremos das emoções. Indo e vindo numa variação absurda, cheia de contra-sensos e impossibilidades até invarialmente alcançar um estado de total condescendência, mesmo que este em nada combine com a minha personalidade.
Nesse vale de grandes proporções, nesse deserto que resseca as lágrimas mas que alimenta o entrave na garganta, até quando e quantas palavras serão suficientes para frequentes cartases?
Assumo a dependência diária, crônica e progressiva de minha mãe. Quisera poder mudar isso sem contudo faze-la sofrer.
Mas estou cansada de ser condicionada a tantas responsabilidades impostas.
Viver sobrevivendo é contradizente e falta de inteligência.
Não demora e sobreviver não será mais suficiente.
Consciência, responsabilidade, egoísmo, covardia. Palavras demasiadamente frequentes agora.
É quase inevitável estar sempre entre, no mínimo, dois caminhos.
No final desse labirinto as opções são claras e desafiadoras.
Tenho escolhas.
Posso faze-las.
Mas entre o ter e o poder fazer me deparo com o questionamento do dever e isso me limita a ação.
As referências do passado são remotas e pouco ajudam.
A realidade de agora me aprisiona.
A perspectiva de um futuro tão esperado é remota.
Desta forma parece-me que tudo e/ou quase todos que diretamente estão ou são ligados a mim esperam que eu pretira minhas aspirações, emoções e objetivos.
Tomara que nunca faltem as palavras.
(Natal, 23/01/2011)
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Alguém
Quero alguém que não seja só desencontros.
Que entre junto comigo e que não esteja sempre saindo quando eu chego.
Que não seja espelho ou reflexo.
Que fale quando eu me calar.
Que dê seqüência nas minhas frases.
Que me ouça sem que seja preciso palavras.
Que não seja minha metade, mas minha extensão.
Que enxugue minhas lágrimas antes destas acontecerem.
Quero alguém com quem eu possa dividir meus defeitos tão freqüentes e multiplicar minhas qualidades raras.
Alguém que converta meus erros em acertos e que os faça evidente.
Alguém real que seja toque e forma e não apenas intenção ou imaginação.
Márcia Régis
Que entre junto comigo e que não esteja sempre saindo quando eu chego.
Que não seja espelho ou reflexo.
Que fale quando eu me calar.
Que dê seqüência nas minhas frases.
Que me ouça sem que seja preciso palavras.
Que não seja minha metade, mas minha extensão.
Que enxugue minhas lágrimas antes destas acontecerem.
Quero alguém com quem eu possa dividir meus defeitos tão freqüentes e multiplicar minhas qualidades raras.
Alguém que converta meus erros em acertos e que os faça evidente.
Alguém real que seja toque e forma e não apenas intenção ou imaginação.
Márcia Régis
Solidão
Hoje apenas olho pela janela.
Tudo parou o que motiva, o que inspira e o que revela.
Onde me vejo denuncio o que sinto, não há reflexos e não há respostas.
Há apenas a ausência nua do brilho nos olhos.
Haverá propósito no destino? Quem escreveu esta estória? Porque esse final se nem houve um início completo? Porque me apresentar a beleza em essência e tirá-la assim sem que a tocasse? Devo me contentar com essa efêmera apresentação da felicidade? Porque antes de ir, não me ensinastes a olhar como tu olhas e a sentir como tu sentes?
Não teria me entregado assim se soubesse da rapidez desse encontro. Teria me dado muito mais.
Não posso, não quero e não vou apagar teus vestígios. São marcas indeléveis que eu não posso negar. Fazem agora parte do que me fizestes ser.
Não sou eu que faço as exigências, é a tua presença em mim.
Acreditei que cedendo o controle das emoções me chegaria até você. Por várias vezes me permiti e me senti tão próxima, mas era apenas o meu desejo que se completava em você.
Hoje sei e sinto que nunca mais serei como antes.
Percebo com ansiedade e pesar que estava só na intenção de unidade e que jamais seremos nós.
Márcia Régis
Tudo parou o que motiva, o que inspira e o que revela.
Onde me vejo denuncio o que sinto, não há reflexos e não há respostas.
Há apenas a ausência nua do brilho nos olhos.
Haverá propósito no destino? Quem escreveu esta estória? Porque esse final se nem houve um início completo? Porque me apresentar a beleza em essência e tirá-la assim sem que a tocasse? Devo me contentar com essa efêmera apresentação da felicidade? Porque antes de ir, não me ensinastes a olhar como tu olhas e a sentir como tu sentes?
Não teria me entregado assim se soubesse da rapidez desse encontro. Teria me dado muito mais.
Não posso, não quero e não vou apagar teus vestígios. São marcas indeléveis que eu não posso negar. Fazem agora parte do que me fizestes ser.
Não sou eu que faço as exigências, é a tua presença em mim.
Acreditei que cedendo o controle das emoções me chegaria até você. Por várias vezes me permiti e me senti tão próxima, mas era apenas o meu desejo que se completava em você.
Hoje sei e sinto que nunca mais serei como antes.
Percebo com ansiedade e pesar que estava só na intenção de unidade e que jamais seremos nós.
Márcia Régis
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Divagar
Detesto desencontrar dissimular dissuadir distorcer desconfiar depreciar discriminar desiludir descrer desencantar desistir
Dúvidas debalde desapontam desvirtuam danificam disfarçam desencadeiam desorientam degredam
Desordem dificulta desespera desnorteia desequilibra deflagra dor
Depressão definha desestimula deforma destrói
Despeito desmesura divide distancia
Decorro diante disso demonstrando desacordo
Desfaço deviso desminto destino defectível dito determinado delineado duradouro
Discordo desprezo desnudo descarto desatino discórdia desunião desmedida
Denuncio desacato desamparo detração disparidade deturpação
Decido defiro decifro delibero desafio
Declaro defender diferenças distintas
Deduzo decoro disparo delego devir
Diserto dito dialogo descente
Declino discurso difuso dubitável
Deveras durante desabafo desacerbo detalho desfecho
DEUS distribui dádivas desvenda desvela distingui desembaraça direciona desafios diários
Descanso deleite durante devoção dedicada
Márcia Régis
(Natal, 10/6/2010)
Dúvidas debalde desapontam desvirtuam danificam disfarçam desencadeiam desorientam degredam
Desordem dificulta desespera desnorteia desequilibra deflagra dor
Depressão definha desestimula deforma destrói
Despeito desmesura divide distancia
Decorro diante disso demonstrando desacordo
Desfaço deviso desminto destino defectível dito determinado delineado duradouro
Discordo desprezo desnudo descarto desatino discórdia desunião desmedida
Denuncio desacato desamparo detração disparidade deturpação
Decido defiro decifro delibero desafio
Declaro defender diferenças distintas
Deduzo decoro disparo delego devir
Diserto dito dialogo descente
Declino discurso difuso dubitável
Deveras durante desabafo desacerbo detalho desfecho
DEUS distribui dádivas desvenda desvela distingui desembaraça direciona desafios diários
Descanso deleite durante devoção dedicada
Márcia Régis
(Natal, 10/6/2010)
terça-feira, 8 de junho de 2010
Desejo
O frescor da manhã suavizou a intensidade da noite, mas desejo é sentimento que se apazigua com mistura de cheiros e suor, em movimentos que evidenciam uma harmonia frenética, que faz explodir numa sintonia de sons.
A ausência de ritmos na noite inquieta ainda mais o corpo.
Tento ocultar o óbvio, mas o que o explícito não expressa os olhos denunciam.
Fechar os olhos não justifica. Faz lembrar ontem e querer muito mais agora.
O que fazer do desejo? Procurar você não basta. É preciso agora.
O desejo permanece...cresce sem que seja possível ceder...o corpo pede e a razão cala.
Márcia Régis
A ausência de ritmos na noite inquieta ainda mais o corpo.
Tento ocultar o óbvio, mas o que o explícito não expressa os olhos denunciam.
Fechar os olhos não justifica. Faz lembrar ontem e querer muito mais agora.
O que fazer do desejo? Procurar você não basta. É preciso agora.
O desejo permanece...cresce sem que seja possível ceder...o corpo pede e a razão cala.
Márcia Régis
domingo, 6 de junho de 2010
Alegoria
Aviso até aqui avança avassaladora agonia
Aproveito avalio assimilo aprofundo adivinho adiando admito atalho alternativo ainda amanhã
Adianto atento atesto atenho amadureço afirmo
Atraso atormenta atrapalha apreende atropela atravessa atrofia
Afora afugenta avaria assusta apressa altera aturdia
Avanço atrai avidez atributo atrativo assemelha atitude aturada apurada atual arriscada arrojada audaz
Apenas aumenta aqui ausência afetiva
Ali absolutos absurdos acontecem abscodem abrutecem abreviam
Amor alquimia absinto abstrato abriga abranda atenua apega afaga atiça aquece abrasa apaixona alvoroça apropria
Apresenta alternando ampla analogia
Antes aprova aprecia acode anima abriga aquieta abençoa adita aqueda acalma
Após apela absorve aponta aborrece atordoa abala acua acusa abomina afasta aparta abandona abate
Atualmente advertida atribulada admoestada a afoita alma amiúde aquiesce anuncia abatida abalada agradecida ajustada
Acredita agora apta alegre afiada alerta acordada aqueda acalma
Absolvida aproveita anuncia aliviada adomada aferida aprendizagem
Márcia Régis
(Natal, 06/06/2010)
Aproveito avalio assimilo aprofundo adivinho adiando admito atalho alternativo ainda amanhã
Adianto atento atesto atenho amadureço afirmo
Atraso atormenta atrapalha apreende atropela atravessa atrofia
Afora afugenta avaria assusta apressa altera aturdia
Avanço atrai avidez atributo atrativo assemelha atitude aturada apurada atual arriscada arrojada audaz
Apenas aumenta aqui ausência afetiva
Ali absolutos absurdos acontecem abscodem abrutecem abreviam
Amor alquimia absinto abstrato abriga abranda atenua apega afaga atiça aquece abrasa apaixona alvoroça apropria
Apresenta alternando ampla analogia
Antes aprova aprecia acode anima abriga aquieta abençoa adita aqueda acalma
Após apela absorve aponta aborrece atordoa abala acua acusa abomina afasta aparta abandona abate
Atualmente advertida atribulada admoestada a afoita alma amiúde aquiesce anuncia abatida abalada agradecida ajustada
Acredita agora apta alegre afiada alerta acordada aqueda acalma
Absolvida aproveita anuncia aliviada adomada aferida aprendizagem
Márcia Régis
(Natal, 06/06/2010)
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Descomedimentos
O amor é cego.
A paixão desatino.
A raiva contida faz adoecer.
O ódio é insano.
O rancor consome.
A vingança não satisfaz.
A falta de fé limita.
O excesso fanatiza.
A ignorância é omissa.
Muito conhecimento entristece.
Márcia Régis
(Natal, 03/06/2010)
A paixão desatino.
A raiva contida faz adoecer.
O ódio é insano.
O rancor consome.
A vingança não satisfaz.
A falta de fé limita.
O excesso fanatiza.
A ignorância é omissa.
Muito conhecimento entristece.
Márcia Régis
(Natal, 03/06/2010)
Medo
Medo de ir
Medo de ficar
Medo de parar
Medo de continuar
Medo de insistir
Medo de desistir
Medo de encarar
Medo de evitar
Medo de enfrentar
Medo de fugir
Medo de sentir
Medo de impedir
Medo de deixar
Medo de conhecer
Medo de ignorar
Medo de falar
Medo de calar
Medo de perguntar
Medo de responder
Medo de perder
Medo de achar
Medo de fechar os olhos
Medo de olhar e ver
Márcia Régis
Natal, 02/06/2010
Medo de ficar
Medo de parar
Medo de continuar
Medo de insistir
Medo de desistir
Medo de encarar
Medo de evitar
Medo de enfrentar
Medo de fugir
Medo de sentir
Medo de impedir
Medo de deixar
Medo de conhecer
Medo de ignorar
Medo de falar
Medo de calar
Medo de perguntar
Medo de responder
Medo de perder
Medo de achar
Medo de fechar os olhos
Medo de olhar e ver
Márcia Régis
Natal, 02/06/2010
domingo, 30 de maio de 2010
Oportunidade
Vou aproveitar esse momento onde não há interrupções, onde o olhar não questiona, onde a eloqüência das palavras é nula, onde os gestos não confundem, e onde meu desejo pode ser iludido pela razão.
Não antes ou depois, não ontem ou amanhã, mas agora tentarei dizer parte do tudo o que não poderei dizer estando com você.
Esse espaço de tempo que nossas realidades determinam entre nós sentencia a certeza de que a intensidade do que queremos é tangível, mas tão temporal quanto a idéia de ter você sempre ao meu lado.
Não o quero como um motivo para pensar com saudades, pois assim você será sempre um sonho que coincidirá com uma realidade furtiva.
Não poderei ser inteira entregando apenas meu corpo.
Me perdoe o egoísmo, mas não posso aceitar apenas partes do quero inteiro.
Márcia Régis
Natal, 30/5/2010
Não antes ou depois, não ontem ou amanhã, mas agora tentarei dizer parte do tudo o que não poderei dizer estando com você.
Esse espaço de tempo que nossas realidades determinam entre nós sentencia a certeza de que a intensidade do que queremos é tangível, mas tão temporal quanto a idéia de ter você sempre ao meu lado.
Não o quero como um motivo para pensar com saudades, pois assim você será sempre um sonho que coincidirá com uma realidade furtiva.
Não poderei ser inteira entregando apenas meu corpo.
Me perdoe o egoísmo, mas não posso aceitar apenas partes do quero inteiro.
Márcia Régis
Natal, 30/5/2010
Quero
Quero o calor das cores.
Quero cores suaves.
Quero o silêncio da emoção.
Quero musicar o que sinto.
Quero o desencontro dos verbos.
Quero palavras precisas.
Quero o delírio dos amantes.
Quero a perfeição dos sentidos.
Quero me embriagar de prazer.
Quero a serenidade do depois.
Quero a dúvida de quem busca.
Quero a certeza de quem ama.
Quero a exatidão frágil do hoje.
Quero a esperança insegura do amanhã.
Quero a liberdade de ser.
Quero a unidade do nós.
Quero a timidez do primeiro encontro.
Quero a ousadia da primeira vez.
Quero o início de tudo.
Quero a eternidade do amanhã e do agora.
Quero sonhar acordada.
Quero viver realizada.
Quero sentir tua falta.
Quero ter a tua presença.
Quero e no tudo que eu quero me encontro em você e então me perco outra vez, pois o que quero só existe dentro de mim...faça-me conhecer...seja real.
Márcia Régis
Natal, 30/5/2010
Quero cores suaves.
Quero o silêncio da emoção.
Quero musicar o que sinto.
Quero o desencontro dos verbos.
Quero palavras precisas.
Quero o delírio dos amantes.
Quero a perfeição dos sentidos.
Quero me embriagar de prazer.
Quero a serenidade do depois.
Quero a dúvida de quem busca.
Quero a certeza de quem ama.
Quero a exatidão frágil do hoje.
Quero a esperança insegura do amanhã.
Quero a liberdade de ser.
Quero a unidade do nós.
Quero a timidez do primeiro encontro.
Quero a ousadia da primeira vez.
Quero o início de tudo.
Quero a eternidade do amanhã e do agora.
Quero sonhar acordada.
Quero viver realizada.
Quero sentir tua falta.
Quero ter a tua presença.
Quero e no tudo que eu quero me encontro em você e então me perco outra vez, pois o que quero só existe dentro de mim...faça-me conhecer...seja real.
Márcia Régis
Natal, 30/5/2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Tempo
Tempo tolo tenho tido tanto
Tempo tendo tento tudo
Tempo tórrido tenaz tabífico
Tempo tácito tolerante taxado temerário talante
Tempo tira tudo tinindo
Tempo terreno tangível tapeia
Tempo tardio tórpido tolhe
Tempo transe teatro tenaz
Tempo telúrico tece teia teimosia
Tempo temeroso tenebroso trêmulo
Tempo tenso teso tentador
Tempo traquejo terminal trágico
Tempo testemunha tardia
Tempo trama trajetória traiçoeira
Tempo transcreve transcende transgride transforma
Tempo...
Márcia
Natal, 26/05/10
Tempo tendo tento tudo
Tempo tórrido tenaz tabífico
Tempo tácito tolerante taxado temerário talante
Tempo tira tudo tinindo
Tempo terreno tangível tapeia
Tempo tardio tórpido tolhe
Tempo transe teatro tenaz
Tempo telúrico tece teia teimosia
Tempo temeroso tenebroso trêmulo
Tempo tenso teso tentador
Tempo traquejo terminal trágico
Tempo testemunha tardia
Tempo trama trajetória traiçoeira
Tempo transcreve transcende transgride transforma
Tempo...
Márcia
Natal, 26/05/10
Limbo
A madrugada pode ser tépida, cálida, sem variação de cor e também amiúde.
Mas há também uma rotina cheia de diferenças.
É o intervalo de cessar os erros, pensar no que ainda pode ser certo e o que não pode deixar de ser.
É onde o emudecer pode soar como um grito e o que parece oculto tornam-se evidente e manifesto.
É onde mais se reluta contra o que inquieta e furtivamente rouba a paz.
É a tela multifacetada dos insones onde é possível desconstruir realidades e desenhar sonhos.
Márcia Régis
Natal, 26/05/10
Mas há também uma rotina cheia de diferenças.
É o intervalo de cessar os erros, pensar no que ainda pode ser certo e o que não pode deixar de ser.
É onde o emudecer pode soar como um grito e o que parece oculto tornam-se evidente e manifesto.
É onde mais se reluta contra o que inquieta e furtivamente rouba a paz.
É a tela multifacetada dos insones onde é possível desconstruir realidades e desenhar sonhos.
Márcia Régis
Natal, 26/05/10
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