Faz tempo que não saio para outro lugar que não seja o supermercado, a padaria ou a farmácia.
Na última quarta-feira (24/3) já bem tarde da noite o telefone toca.
Era uma amiga querida ligando para dizer que o primo do namorado dela queria me conhecer. E ela e a namorado, cheios de boa vontade, estavam intermediando um encontro.
É bom deixar claro que ele – o tal moço – se mostrou muito interessado em me conhecer depois que o primo – namorado da minha amiga – ter dito que eu não conhecia ninguém faz tempo e que a visão de eu “indo” era melhor que voltando.
Bem é verdade que faz tempo que não conheço ninguém do sexo oposto. Verbozinho capcioso esse tal de conhecer.
Enquanto ela ainda desfiava um rosário de bons motivos para que eu aceitasse o convite, eu não parava de pensava no que poderia acontecer.
Do moço ela só me adiantou que era mais jovem que eu – o tal moço tinha 31 anos – o que já era um presságio para que eu ficasse em casa. Mas, ela fez questão de enfatizar muitas vezes o quanto ele era responsável e cheio de boas intenções.
Depois de chegar aos 40 passei a questionar algumas verdades populares.
O tal dito que “cavalo dado não se olha os dentes” só funcionam se você quer apenas comer papa ou tomar líquidos.
Para mim ficou bem difícil olhar para um homem de 35 e distinguir um adulto, a maioria mais parecem adolescentes no cio.
Quanto às intenções do moço eu tinha certeza de que ele tinha todas. Principalmente depois de saber que ele gosta mais da mulher em verso (de costas) do que em prosa.
A pergunta que não parava de me fazer: Valeria mesmo sair de casa para um encontro assim?
Preconceitos a parte decidi que iria muito mais pela oportunidade de sair do que na intenção de conhecê-lo. Afinal, que mal poderia haver? (de vez enquanto eu costumo me enganar).
Sábado (27/3) noite do encontro. Minha amiga logo identificou o carro do namorado e disse que o carro que o seguia era do tal moço.
O segundo carro estava perigosamente inclinado para o lado esquerdo.
Quando o moço desceu do carro vi que não se tratava de problemas com os amortecedores.
Lembram do filme Caças Fantasmas? Do Monstro de Marshmallow? Não? Então pense no bonequinho cheio de dobras símbolo da Michelan.
Definitivamente aquele seria um encontro de peso.
Depois das apresentações de praxe seguimos para um restaurante num shopping aqui da Zona Norte.
À noite, coitada, era uma criança que deveria, assim como eu, ficar em casa e evitar as cenas que viriam.
Na entrada do restaurante e a caminho da mesa o moço se apropriou do cardápio.
Antes do pedido, fez questão de nos dizer sem rodeios que pela manhã teria tido um “desarranjo” intestinal – Na verdade ele disse mesmo dessentiria.
Bem, a nós coube “engolir” o constrangimento daquela informação desnecessária e o aconselhar que escolhesse com cuidado o que iria comer. Mas, ele levava a sério a expressão carpem die.
Depois de 20 minutos ouvindo ele dizer que o pedido estava demorando, enfim chegou o prato light: Duas porções médias – graças a DEUS – de escondidinho de carne de sol e camarão.
O glutão, digo o moço, devorou sem cerimônia a parte dele e ainda me ajudou com a minha e tudo isso acompanhado por 2 litros de refrigerante Diet.
Terminada refeição veio a parte lúdica da noite.
O moço começou a suar e a inclinar-se para os lados a fim de aliviar a pressão.
Já não suportando mais a pressão interna (flatos que não continham mais dentro dele) decidiu termina a expressão no banheiro.
Imagine um lutador de sumo com o cofrinho a mostra – Putz! cofrinho é eufemismo – andando como um gueixa em passos rápidos e apertados em direção ao banheiro. E isso tudo com direito a efeitos sonoros.
De nada adiantou a minha postura de esfinge. Todos os olhares dos demais estavam sobre nós.
Quando eu penso em me levantar e sair à francesa vem o moço já todo borrado em minha direção dizer que o banheiro do piso onde estávamos não comportou a obra de arte dele.
Uma funcionária do shopping vendo a cena e se acabando de rir – tem gente que rir das desgraças dos outros, nesse caso a minha – veio em nossa direção e eu pedi que indicasse outro banheiro.
Ela disse que outro banheiro só no primeiro piso. E lá foi o lutador de sumo, seguindo como uma gueixa, em procura de outro lugar para continuar se aliviando.
Atrás dele um rastilho de sons, cheiros e merda.
E eu lá alvo da gozação do demais.
Minha amiga e o namorado faziam coro junto aos gozadores. Afinal merda nos outros é piada.
Depois de tanta “expressão o cagão enfim resolveu ir embora.
Minha amiga e o namorado vieram me deixar em casa.
Já em casa e três horas de banhos depois fui refletir sobre os acontecimentos da noite e tentar extrair algo, que não fosse o cheiro da merda e o som dos flatos, de toda aquela situação.
Conclui que:
· Não se faça de surda quando todos os seus sentidos gritarem com você.
· Nunca ignore os sinais.
· Fuja enquanto for possível e quando não for de um jeito de escapar.
· Os amigos podem achar que estar sozinha é uma merda e na melhor das intenções te empurrarem para ela.
· Evite o quanto puder um encontro as escuras. Mas, se não puder evitar leve lanterna, papel higiênico e dinheiro suficiente para voltar de taxi.
Depois dessa voltei a minha segura reclusão.
Melhor só do que acompanhada numa cagada.
Márcia Régis
segunda-feira, 29 de março de 2010
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