terça-feira, 30 de março de 2010

Quase

Eu quase fui feliz.
Eu quase acreditei que quase fui.
Eu quase desisti.
Eu quase tornei isso possível.
E lá não estava só.
Havia muitas como eu.
Havia muitas de mim.
Transeuntes de mundos particulares, prisioneiras da alopatia, negligenciadas pelos que lhes deviam o melhor.
Loucas por liberdade, insanas por condição.
Dias roubados pelo torpor dos neurolépticos.
Memórias fragmentadas pela incompreensão dos fatos e dos atos.
Eu quase fico.
Eu quase não volto mais.
Eu quase fera.
Eu quase insana.
Eu quase era.
Eu quase humana.
Eu quase sou.

Márcia Régis
Natal, 30/3/2010

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