Generosidade tem limites?
Penso (coisa de quem acha) que sim. Acredito que não.
E empatia é possível sempre? Qualquer que seja a situação?
Na teoria sim. Na prática nem sempre.
Todos esses questionamentos por causa dos inúmeros comentários sobre o infausto encontro do último sábado.
Uma amiga disse que devo ter provocado a situação – segundo ela eu tenho um jeito agressivo com os incautos homens e isso os intimida – minha surpresa foi saber que longe estou de encantar e perto do espanto.
Outra se dispôs solidária ao moço – me fez pensar que devo ser menos egoísta e, havendo uma próxima situação semelhante devo levar uma bolsa maior com itens de emergência, deixando de fora batom, máscara para os olhos, lenços umedecidos e qualquer coisa que seja para o meu exclusivo uso particular.
Já outra não consegue mais falar comigo sem ter uma crise de riso – Só confirmou o que já suspeitava. Ela nunca me levou mesmo a sério.
Ainda bem que são todas amigas queridas.
Serei então generosa (na medida) e empática (sem me confundir com compaixão). Vou relatar o encontro como se fosse eu, e não moço, a “borrar” o primeiro encontro.
Só não o farei literalmente, pois se assim fizer terei que me “expressar” como ele em sons e em quantidade de substâncias.
Em primeiro lugar sabendo do meu desarranjo gástrico cancelaria o encontro ou, se inevitável fosse, eu iria de fralda descartável. Mesmo sabendo que o resultado estético do volume da fralda tendesse a fazer da minha bunda – em tamanho – uma completa ignorância.
Em segundo lugar buscaria um lugar onde a música alta e ensurdecedora a fim de abafar os flatos. Quando ao cheiro faria cara de dissimulação.
Terceiro nem vou considerar as opções do cardápio. Estamos no nordeste e comida light aqui nem no nome. Vide buchada de bode, bobó de camarão e o fatídico escondidinho – que esta mais para revelador.
Quarto procuraria o lugar mais próximo possível do banheiro.
Quinto sentindo a inevitável tensão do momento, como uma pessoa de fé, recorreria aos céus: “Meu Deus segurai essa criatura de força descomunal que tenta sair de mim”.
Sexto, não funcionando a fé seria matemática, calcularia o percurso mais rápido para me aliviar e não faria escolha de banheiros.
Por fim, desapareceria e já em casa, no dia seguinte, telefonaria dizendo ter sido abduzida. Ficaria mais enigmático do que dizer que me desfiz em merda.
É muito mais honroso sumir assim que voltar para mesa e me despedir toda borrada.
Ah, também procuraria com urgência uma junta médica (gastroenterologista, nutricionistas, terapeutas, psicólogos, etc).
Queridas e tolerantes amigas me esforcei em ser magnânima e altruísta com o moço cagão. Agora tentem vocês fazer o mesmo comigo.
segunda-feira, 29 de março de 2010
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Um comentário:
Olá! pelo que vi, ainda sou um seguidor solitário do seu blog, mas simpatizo com sua forma de escrever e se expressar. Sou de Porto Alegre. Um abraço nova amiga!
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