É madrugada.
O silêncio e uma idéia fixa de desistir de tudo e uma vacilante e insistente necessidade de continuar acreditando.
Quem vencerá?
É madrugada.
É hora de repassar as cenas do teatro do dia que se fez hoje.
Tento me recompor, pois quando o sol voltar outra vez será mais uma vez reprise.
É madrugada.
É hora do reconhecimento do óbvio.
Pena que ainda me falte coragem prática para encerrar definitivamente este ato.
E num ato só, encerrar e cortar abrupta e rapidamente essa peça.
Reconheço a falência do meu amor não correspondido.
Reconheço a fragilidade prisioneira dos que dependem de mim.
Reconheço meu fracasso e impotência.
Mas, ainda assim não é xeque-mate.
É madrugada.
E quase tudo é silêncio, menos dentro de mim.
Sou covarde demais para deixar essa sobrevida.
Não penso mais no que deixei de viver, nem no que poderia ter sido, nem no que possa ser ou viver.
Penso no que ainda não sonhei.
Mas, para sonhar é preciso fechar os olhos e minha realidade de hoje não me permite o descanso.
Já não é mais madrugada.
Ela se foi e é dia outra vez.
Márcia Régis
Rio de Janeiro, 28/6/2008
segunda-feira, 29 de março de 2010
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Um comentário:
Muito bom linda... Isso me lembra algumas madrugadas minhas! :) Beijos...
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